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Mercado • 22 de setembro de 2026

Eleições ou juros: o que mais impacta o mercado imobiliário?

Eleições e mercado imobiliário: o que realmente pesa nas decisões?

Em anos eleitorais, é natural que investidores, compradores e empresas acompanhem com mais atenção o cenário econômico. As dúvidas sobre os próximos anos podem aumentar a cautela, especialmente em decisões de longo prazo.

No mercado imobiliário, porém, o histórico recente indica que o resultado das urnas, isoladamente, não é o principal fator que determina o desempenho do setor.

Um levantamento dos Indicadores Imobiliários Nacionais, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), analisado pelo R7, aponta que o comportamento dos juros e a disponibilidade de crédito têm influência mais direta sobre o setor do que o resultado de uma eleição presidencial.

Isso acontece porque a aquisição de um imóvel normalmente envolve planejamento financeiro de longo prazo. Portanto, condições de financiamento, custo do crédito, renda e confiança econômica têm peso relevante na tomada de decisão.

Por que os juros são tão importantes para o mercado imobiliário?

A taxa Selic influencia diferentes modalidades de crédito na economia brasileira. Embora a relação não seja automática, mudanças no ambiente de juros podem afetar o custo e as condições dos financiamentos imobiliários.

Para quem pretende comprar, condições de crédito mais favoráveis podem ampliar a capacidade de aquisição. Para incorporadoras e investidores, o cenário de juros também interfere no custo de capital, na análise de novos projetos e na comparação entre diferentes alternativas de investimento.

Por isso, acompanhar apenas o calendário eleitoral oferece uma visão incompleta do mercado.

É importante observar também fatores como Selic, disponibilidade de crédito, renda das famílias, inflação, atividade econômica, oferta de unidades e demanda por moradia.

O que aconteceu em outros ciclos eleitorais?

Os dados históricos ajudam a colocar essa discussão em perspectiva.

Em 2018, ano de eleição presidencial, a CBIC registrou crescimento de 19,2% nas vendas de imóveis novos em relação a 2017, totalizando 120.142 unidades negociadas dentro da amostra da pesquisa. Os lançamentos avançaram 3,1% no mesmo período.

Esse dado é especialmente importante porque mostra que um ano eleitoral não significa, por si só, paralisação do mercado imobiliário.

No ano seguinte, o movimento de recuperação continuou.

Crédito imobiliário avançou quase 40% em 2019

Nos primeiros cinco meses de 2019, o volume de financiamento imobiliário com recursos da poupança cresceu quase 40%, ultrapassando R$ 27 bilhões.

Esses recursos financiaram aproximadamente 104 mil imóveis, quantidade 31% superior à registrada no mesmo período de 2018.

Ao considerar o ano completo, os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC registraram crescimento de 15,45% nos lançamentos e 9,7% nas vendas de imóveis residenciais novos em 2019, na comparação com 2018.

Os números reforçam a importância das condições econômicas e de crédito para compreender o comportamento do setor.

E qual é o papel das eleições?

Isso não significa que eleições sejam irrelevantes para o mercado.

Períodos eleitorais podem elevar a incerteza sobre políticas econômicas futuras e levar parte de compradores, investidores e incorporadoras a adotar uma postura mais cautelosa.

Segundo o levantamento divulgado pelo R7, expectativas relacionadas à política fiscal podem influenciar a trajetória dos juros e, consequentemente, chegar ao mercado imobiliário por meio das condições de crédito.

Portanto, a influência política sobre o setor tende a ocorrer também por seus possíveis efeitos sobre variáveis econômicas — e não simplesmente pelo fato de existir uma eleição.

O que acompanhar no mercado imobiliário em 2026?

Para 2026, investidores e compradores têm diferentes variáveis para acompanhar simultaneamente.

Além do cenário eleitoral, estão no radar a trajetória da Selic, as condições do financiamento imobiliário, a disponibilidade de crédito e os efeitos das mudanças tributárias. O levantamento divulgado pelo R7 destaca justamente essa combinação de juros ainda relevantes, expectativa sobre o ciclo monetário e mudanças relacionadas à reforma tributária.

Para quem analisa uma oportunidade imobiliária, portanto, uma decisão baseada exclusivamente na expectativa sobre o resultado eleitoral pode deixar de considerar fatores diretamente ligados à viabilidade financeira da aquisição.

Crédito pode ser mais relevante do que o calendário eleitoral

Os dados históricos não significam que o mercado terá necessariamente o mesmo comportamento em 2026. Cada ciclo econômico possui condições próprias.

O que eles demonstram é que eleições e mercado imobiliário não devem ser analisados isoladamente.

Juros, crédito, renda, oferta, demanda e expectativas econômicas ajudam a explicar por que o setor pode continuar registrando atividade mesmo durante períodos de maior incerteza política.

Para investidores, compreender esses fundamentos permite analisar cada oportunidade considerando seu horizonte de investimento, localização, preço, potencial de valorização e geração de renda.

Quer entender quais oportunidades podem fazer sentido para a sua estratégia patrimonial no cenário atual? Fale com a equipe da BR 360.

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