Após o primeiro turno das eleições, investidores acompanham as sinalizações fiscais e seus possíveis efeitos sobre a trajetória da Selic, o crédito e as decisões de investimento no Brasil.
O cenário econômico brasileiro entrou em uma nova fase de atenção após o primeiro turno das eleições presidenciais. Com a disputa definida para o segundo turno, o mercado passa a observar não apenas inflação e atividade econômica, mas também as perspectivas para a política fiscal do próximo governo.
Ao mesmo tempo, o Banco Central já iniciou um processo gradual de redução dos juros. Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária. O próprio Banco Central, porém, reforçou que o ambiente ainda exige cautela diante das incertezas e das expectativas de inflação. Banco Central do Brasil
Mercado mantém expectativa de novos cortes na Selic
Segundo o Boletim Focus divulgado em 5 de outubro, a expectativa mediana do mercado é de que a Selic encerre 2026 em 13,50% ao ano. Para o final de 2027, a projeção permanece em 12% ao ano. Forbes Brasil
O levantamento também mostrou um cenário que ainda exige atenção. A projeção para o IPCA de 2026 avançou para 5,01%, enquanto a expectativa de crescimento do PIB recuou para 1,85%. Seu Crédito Digital
Isso significa que, embora o ciclo de redução dos juros tenha começado, o espaço para cortes mais intensos continua condicionado principalmente ao comportamento da inflação, das expectativas econômicas e das contas públicas.
Eleições entram no radar dos investidores
O primeiro turno das eleições presidenciais terminou com Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva com 45,16%. Os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Tribunal Superior Eleitoral
A partir de agora, uma das principais variáveis acompanhadas pelo mercado será a sinalização econômica dos candidatos, especialmente em relação ao equilíbrio fiscal, controle de despesas e trajetória da dívida pública.
Isso acontece porque a percepção de risco fiscal influencia diretamente as expectativas de inflação, o câmbio e a curva futura de juros.
Quanto maior a confiança na sustentabilidade das contas públicas, maior tende a ser o espaço para redução dos prêmios de risco. Por outro lado, dúvidas sobre a condução fiscal podem manter as condições financeiras mais restritivas por mais tempo.
O que esse cenário representa para o mercado imobiliário?
Para o setor imobiliário, a trajetória dos juros é especialmente relevante.
Uma Selic elevada tende a manter o custo do crédito em patamares mais altos, afetando tanto o financiamento para compradores quanto o custo de capital de empresas e incorporadoras. Quando os juros começam a cair de maneira consistente, esse cenário pode mudar gradualmente.
A redução das taxas pode contribuir para condições de financiamento mais favoráveis, ampliar a capacidade de compra das famílias e estimular novamente a demanda por ativos residenciais.
Para investidores, existe ainda outro movimento importante: com a queda dos juros, aplicações conservadoras vinculadas às taxas de mercado podem se tornar relativamente menos atrativas, favorecendo a busca por alternativas capazes de combinar valorização patrimonial e geração de renda.
Isso não significa que uma redução da Selic provoque automaticamente valorização dos ativos imobiliários. Localização, oferta, demanda, preço de aquisição, liquidez e potencial de rentabilidade continuam sendo determinantes na análise de cada oportunidade.
2027 pode ser decisivo para a trajetória dos juros
O resultado das eleições não altera imediatamente a política monetária. O Banco Central continuará avaliando inflação, atividade econômica, expectativas e riscos antes de cada decisão sobre a Selic.
O que pode mudar é a percepção sobre os próximos anos.
Caso o próximo governo apresente uma política fiscal capaz de melhorar a confiança sobre as contas públicas, o ambiente pode favorecer uma trajetória mais consistente de redução dos juros. Em um cenário oposto, pressões fiscais e inflacionárias podem limitar a velocidade dos cortes.
Por isso, 2027 tende a ser um ano importante para entender até onde poderá avançar o atual ciclo de flexibilização monetária.
Investidor deve acompanhar juros, mas também fundamentos
Em períodos de transição econômica e política, tomar decisões exclusivamente com base na expectativa de queda da Selic pode ser um erro.
No mercado imobiliário, oportunidades precisam ser avaliadas individualmente, considerando preço por metro quadrado, localização, demanda da região, potencial de locação, perspectiva de valorização e estratégia de saída.
Para quem pensa no longo prazo, acompanhar o ciclo de juros é importante, mas identificar ativos com bons fundamentos continua sendo essencial.
Na BR 360, acompanhamos os movimentos do mercado para identificar oportunidades alinhadas a diferentes estratégias de investimento, da aquisição à rentabilização do patrimônio.
Quer entender quais oportunidades podem fazer sentido para o atual momento do mercado?


